Roberto Fonseca
Por que erramos?
Para Santo Agostinho, o erro surge quando desviamos nosso olhar da verdade. Para Sartre, ele é inevitável porque só quem age e decide está sujeito a falhar.
Ao identificar nossos pontos frágeis, podemos desenvolver maior autoconsciência
Se todos sabemos que errar traz consequências, por que continuamos a errar? A resposta é complexa e envolve múltiplas dimensões do comportamento humano. Erramos por ignorância, por falta de experiência, por desatenção. Mas também erramos por excesso de confiança, por agir movidos pela emoção e por não avaliarmos adequadamente as situações.
A psicologia cognitiva explica que nossa mente busca atalhos para processar informações rapidamente. Esses atalhos – chamados de heurísticas – são úteis para decisões imediatas, mas frequentemente nos levam a distorções de julgamento. Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia, descreveu como esses vieses podem nos fazer subestimar riscos e superestimar certezas.
Além disso, a liberdade humana carrega o risco do erro. Para Santo Agostinho, o erro surge quando desviamos nosso olhar da verdade. Para Sartre, ele é inevitável porque só quem age e decide está sujeito a falhar. Em muitos casos, o erro nasce de boas intenções mal calculadas; em outros, de impulsos egoístas ou até de rebeldia contra normas impostas.
O contexto social e cultural também influencia. Pressões externas, expectativas alheias e sistemas que privilegiam resultados sobre valores éticos aumentam a probabilidade de escolhas erradas. Errar, portanto, é resultado de uma teia complexa de fatores internos e externos.
Compreender essas causas não é justificar o erro, mas um passo essencial para preveni-lo. Ao identificar nossos pontos frágeis, podemos desenvolver maior autoconsciência, melhorar processos e evitar que falhas se repitam. Afinal, quem não compreende por que erra, está condenado a errar novamente.




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